Adroaldo Narciso e o afeto que resiste ao esquecimento

Professor, tradutor, poeta e ensaísta, o autor de Fragmentos de História: As Memórias de um Familiar com Alzheimer, publicado em 2026 pela Editora Pragmatha, converte a convivência com o avô em literatura de rara delicadeza.
Há livros que nascem da imaginação e há os que nascem do amor. Fragmentos de História pertence à segunda linhagem: é obra em que a memória, ainda que fraturada, encontra na palavra um abrigo duradouro. Por essa entrega, Adroaldo Narciso merece a homenagem que a HostingPress hoje lhe presta.
Adroaldo Narciso reúne em si a versatilidade dos espíritos inquietos. É professor, tradutor, intérprete, escritor, ensaísta, poeta e pesquisador da linguagem, além de especialista em Práticas e Saberes da Língua Inglesa. Sua escrita transita com naturalidade entre a crônica, a poesia e o ensaio, conduzindo o leitor por caminhos poéticos, filosóficos e humanistas.
O propósito que a orienta é nobre: ampliar horizontes, despertar questionamentos e revelar novas perspectivas sobre o cotidiano, a arte, a cultura e a experiência humana. Trata-se de um autor que concebe a literatura não como ornamento, mas como forma de compreender e de cuidar.
A densidade de sua trajetória se confirma nas instituições que o acolhem. Adroaldo é membro da Academia de Letras e Artes de Alagoinhas (ALADA), da Academia de Cultura da Bahia (ACB) e da Casa do Poeta de Alagoinhas (CASPAL), além de Embaixador Cultural do Movimento Cultivista. Cada vínculo testemunha o apreço que seus pares lhe dedicam e a seriedade com que cultiva a vida das letras.
Em Fragmentos de História, o autor reúne episódios reais vividos ao lado de seu avô, José da Costa Fonseca, o querido Zelito. A convivência com o Alzheimer, tema que tantas famílias enfrentam em silêncio, ganha aqui contornos de literatura sensível, íntima e profundamente humana.
Entre lapsos de memória, risos inesperados e histórias que resistem ao tempo, o livro revela uma verdade comovente: mesmo quando as lembranças começam a desaparecer, o afeto permanece como última morada da identidade. Não há, nessa constatação, ingenuidade ou consolo fácil, mas a sabedoria de quem acompanhou de perto a travessia e soube reconhecer, nela, a permanência do amor.
Com olhar afetivo e delicadeza poética, o autor percorre as zonas nebulosas da memória, onde passado e presente se confundem sem jamais dissolver o vínculo entre avô e neto. A formação de poeta e ensaísta aparece na economia das imagens e na maneira como a dor é tratada: com respeito, sem sentimentalismo, com a dignidade de quem escreve para honrar.
Publicado em 206 páginas, no formato 14 x 21, e catalogado na categoria de biografia, o volume é mais do que uma obra sobre a doença. É um testemunho sobre pertencimento, família e permanência, que ajuda cuidadores, filhos e netos a reconhecer que cuidar também é uma forma de preservar histórias.
Ao transformar a vivência com Zelito em narrativa partilhável, Adroaldo Narciso presta um duplo serviço: perpetua a memória de seu avô e oferece a tantas famílias a companhia de uma voz que compreende. Poucas coisas são tão preciosas quanto um livro capaz de dizer, a quem sofre, que não está só.
A HostingPress saúda o autor pela sensibilidade, pela elegância do estilo e pela coragem de fazer da fragilidade matéria de beleza. Que Fragmentos de História alcance muitos leitores e lembre a cada um deles que, quando a memória falha, o amor ainda sabe o caminho de casa.